sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

.todos los ojos en la Latinoamerica - Latein Amerika Woche.

Tirando a poeira do browser cá estou eu de volta ao .VIREI GRINGO. Explicando rapidamente o sumiço: os últimos dias foram meio difíceis por conta do frio absurdo que está fazendo por aqui, é verdade aquele papo que o clima interfere diretamente no humor das pessoas... Mas vamos nessa que é bom à beça, bola pra frente que atrás vem gente!

Está rolando aqui em Nürnberg a Latein Amerika Woche (“Semana da América Latina”) evento que aos meus olhos preconceituosos tinha toda pinta de ser furada, mas que no final das contas acabou me surpreendendo. Tudo começou quando descobri que uma menina de Berlin falaria sobre o trabalho social do AfroReggae. Desconfiei na hora! Gringa, de Berlin, falando sobre o AfroReggae... ah, só pode ser furada! Mesmo assim, bebi das poucas gotas de fé escondidas no fundo da minha desconfiança e entrei em contato com a tal garota de Berlin. Seu nome: Nadine Jäger. E para minha surpresa ela me convidou pra contribuir em sua fala propondo que eu comentasse sobre minha experiência e visão sobre a questão cultural e periférica carioca. Eu aceitei.

Ontem, 28/01, cheguei à Villa Leon, local do evento, e encontrei Nadine na porta fumando um cigarrinho feito à mão, do jeito que o povo aqui curte fazer. Combinamos rapidamente como seria minha participação e aguardamos a platéia chegar para iniciar a falação.

Pra minha surpresa:

#1: várias pessoas foram até lá para ouvir Nadine;

#2: o público era um misto de pessoas da Igreja católica, evangélicos, gente da Anistia Internacional, Anti-fascistas, lésbicas...

#3: Nadine apresentou uma fala muito consistente, abordando diversos pontos e explorando as contradições existentes em projetos como o AfroReggae. Ela escreveu um dos artigos do livro Funk the City, que eu fiz questão de adquirir, apesar de ser inteiramente escrito em alemão;

#4: eu, como bom intrometido, cantei três musiquinhas e fiz a alegria de alguns dos presentes;

De quebra reencontrei os sangue bão do Jazz PA (dupla de bons Dj´s que tocou na última festa Funkeiro Riot), conheci algumas pessoas bacanas daqui de Nürnberg e ainda recebi o convite para aparecer por lá amanhã e conferir o show da banda La papa Verde, um combo cumbiafropunk de Köln.

Nada como o calorzinho latino americano para melhorar o humor. Vamo q vamo! Depois eu volto pra contar como foi o show do La papa verde.

PS: A boa da naite de hoje é o show da banda Great Eskimo Hoax, com abertura do one-man-band Krabat.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

.virei gringo é notícia!.


Em menos de um mês de vida o .VIREI GRINGO. já é notícia! O blog foi citado em uma matéria publicada em outro blog (!) o da rede social de livros O Livreiro.

A matéria com o título "A volta ao mundo em dez blogs brasileiros" traz também os links e comenta sobre blogs de brasileiros que vivem na Coréia do Sul, Senegal, Timor Leste e Suécia. Vale a pena dar uma conferida.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

.10 NOVAS E ESTRANHAS SENSAÇÕES.

O povo curtiu, deu uma moral e compareceu legal aqui no .VIREI GRINGO., meu novo empreendimento e estratégia de dominação do planeta. Em retribuição segue mais uma série de 10 NOVAS E ESTRANHAS SENSAÇÕES dessa minha nova vida no velho continente. Choque cultural, é nós!

# Aprender a vestir o triplo de roupas na metade do tempo;

# Achar que 2 graus positivos é um calorzinho maneiro;

# Pensar em português, inglês, espanhol, alemão e não conseguir comunicação plena em nenhuma das línguas;

# Tomar água da bica e saber que ela é mais limpa do que 50% das "minerais" vendidas no Rio;

# Tomar banho de banheira na minha própria casa;

# Saber que todos os copos e talheres usados em bares e restaurantes não estão realmente limpos;

# Usar hidratante no corpo para não ficar parecendo o primo do Escamoso;

# Não entender porque as pessoas abrem a janela por 10 minutos "para pegar um arzinho fresco", o que na verdade, significa congelar;

# Andar sempre com um batomzinho de manteiga de cacau no beiço para não ficar com os lábios rachados;

# Viver onde existe a maior quantidade de "gangster com a bochecha rosada" por metro quadrado;


Ah, e para quem não sabe, a foto do cabeçalho do blog é do meu quintal :)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

.têm (várias!) Coca aí na geladeira.

Engana-se quem acha que a cultura dos “refrigerécos” é um privilégio dos brasileiros. Na na ni na não. Aqui na Alemanha também rolam vários produtores paralelos e alternativos às grandes empresas do ramo de refrigerantes. Na real realidade, às vezes, é até difícil encontrar os medalhões Coca-Cola e Pepsi. Muitos mercados e bares apostam pesado nas bebidas locais, seguindo uma tradição que acontece com a cerveja, por exemplo, e priorizam a venda de bebidas que são globalmente desconhecidas mas que fazem muito sucesso em âmbito local. Por isso, viajando por aqui, a graça é experimentar a diversidade de “Colas” disponíveis em cada bairro, cidade e região. Aqui em Nuremberg já tive a sorte de bater de frente com pelo menos três cocas da boa, se liga:


Se você curte a onda “sou negão-sarará criolo” (como eu) uma boa pedida é cair dentro da Afri Cola. O refrigerante tem como grande diferencial o design da garrafa com a forma do vidro simulando um “corpo violão”, inspirado no estereótipo da sensualidade (sexualidade?) africana. A bebida existe desde 1931 (!) é produzida na Alemanha, mas também pode ser encontrada em países como França, Áustria, Arábia Saudita, Suíça e República Checa. Na “naite” uma garrafa com 350 ml da bebida sai por mais ou menos 3 euros, muito bem gastos, diga-se de passagem. A Afri Cola é realmente gostosa!

Politicamente correta, a Premium Cola foi criada em 2001 por um coletivo de fãs da Afri Cola que andavam meio insatisfeitos com os rumos que a marca estava tomando. A Premium é produzida em Hamburg em um sistema semi-artesanal pela galera do coletivo "Interessengruppe Premium". O design aposta numa onda bem minimalista, o rótulo é todo preto, sem logotipo e com apenas algumas informações sobre os ingredientes usados na bebida. A Premium é boa, mas eles exageram um pouquinho no gás e se orgulham de oferecer uma Cola com menos cafeína do que as rivais.

Outra cola que bomba (no melhor estilo molotov!) por aqui é a Clube-Mate Cola. A versão Cola de um refrigerante de mate, bebida bem popular entre a galera anarquista e de esquerda. Garrafas e mais garrafas de Clube-Mate Cola marcam presença garantida nas reuniões dos grupos Antifascista (os chamados “Antifa”) e nos shows de Punk e Hard Core. Com sabor forte a Clube-Mate Cola ataca com um apelo latino, na onda revolución! E avisa no rótulo: “erfrischend und aktiv” (refrescante e ativo), é um refrigerante revolucionário, mas sin perder la ternura jamás!